Uma mulher de combate

Tamires Santana tem 19 anos e está na Luta pela Paz há 3 anos. Antes ela fazia jiu-jitsu em outra Academia e através de um amigo ficou sabendo que na Luta pela Paz havia aulas de luta-livre. Veio fazer uma aula, gostou e está conosco até hoje. Moradora da Maré, está sempre com um sorriso no rosto e é um amor de pessoa. Aqui ela nos conta mais um pouco da sua história:

No início eu tinha um pouco de vergonha quando fazia aula porque no jiu-jitsu você luta com um kimono e na luta- livre, não. O seu corpo fica mais exposto. O que me deixou mais à vontade foi que o professor Cavalo me elogiou, me motivando, e falou que eu ia ser a primeira menina da sua equipe. E realmente, eu fui a primeira menina a competir na luta-livre.

Os meninos na aula tratam as meninas de igual pra igual. Não nos tratam diferente por sermos meninas. Acho que de certa forma a minha presença na turma pode ter incentivado outras meninas a tomarem coragem para fazer uma luta em que predomina a figura masculina. Antes só tinha eu na luta-livre. Hoje em dia tem 5 alunas na turma e 3 delas competem, contando comigo.

No meio do ano passado eu passei a fazer parte do Conselho Jovem representando a luta-livre. Terá nova votação em março para ver quem serão os membros esse ano. Eles são escolhidos pelos alunos da modalidade e eu espero ser escolhida novamente. Acho interessante participar do Conselho Jovem, passar para a administração os problemas que aparecem e representar a LPP recebendo as visitas.

Estou terminando o terceiro ano do ensino médio e quando acabar tenho vontade de fazer educação física e nutrição. Meu sonho é conseguir trabalhar na área em que quero me formar. Espero que ao contar a minha história, eu consiga incentivar e inspirar mais meninas a lutarem. Se elas tiverem vontade de fazer alguma arte marcial, que façam.