Uma luta muito boa de se ver

28/11/2017 – Alan Duarte começou a fazer boxe na Luta pela Paz aos 17 anos de idade. Depois de participar de sua primeira competição, se encantou com o esporte e o reconhecimento adquirido dos amigos. Hoje, 13 anos depois, ele é professor de boxe, tem seus próprios auxiliares e um projeto.

Inspirado pelo aprendizado que vinha tendo na Luta pela Paz e após perder seu irmão assassinado, Allan queria ajudar crianças e jovens, afastando-os do mundo do crime.  O Abraço Campeão foi fundado há cerca de 3 anos, no Complexo do Alemão, através de persistência, força de vontade, dedicação e ajuda de pessoas queridas. Com um ano de projeto, o boxeador se inscreveu no treinamento Maré Unida, da Luta pela Paz, onde aprendeu sobre a metodologia, sobre os pilares estruturais que uma organização deve ter e como administrar melhor a parte financeira.

A partir da ideia que teve de fazer um vídeo institucional para mostrar o seu projeto, Alan fez despertar o lado entusiasta de Ben, diretor premiado de filmes publicitários em Londres, e com quem treinava boxe.  Ben viu um enorme potencial no material coletado e uma ótima oportunidade de mostrar ao mundo o trabalho do projeto.

Com pouco equipamento e recurso, eles filmaram um longa mostrando a história do Abraço Campeão. O projeto tem cerca de 60 alunos e atende jovens de 7 a 29 anos. Os que possuem mais de 29 anos podem fazer boxe em troca de alguma ajuda que possam oferecer para a estrutura do projeto, como varrer o chão ou lavar a roupa dos alunos.

Alan, hoje com 29 anos, tem muita história pra contar. Apesar de ter tido 10 familiares mortos por arma de fogo, ele nunca desanimou e continua atrás de seus sonhos. Com uma visão positiva da vida, ele segue a vida com o seu projeto e seu filho de 6 anos, ao qual deu o nome de Jackson, em homenagem ao irmão assassinado.

“O nome do projeto Abraço Campeão, vem do valor abraço, que foi trabalhado comigo na Luta pela Paz, que é a sensação de se sentir acolhido, de pertencer a uma família. E o Campeão vem de querer vencer, de batalhar, de querer virar campeão. Procuro através do projeto proporcionar aos moradores da minha comunidade os mesmos benefícios que eu tive,  e que eu consiga fazer isso com o máximo de pessoas possível.”, conta Alan.

O documentário “The Good Fight”(“A vida é uma luta”) já participou de 10 festivais internacionais em 2017 e ganhou 5 prêmios, como “Melhor Documentário Curto” no Festival de Tribeca, em Nova York e “Prêmio Público” no SOUQ Film Festival, em Milão.