ENTENDA PORQUE “RETRIBUIÇÃO” É A PALAVRA DA VEZ NESSA ACADEMIA DA IRLANDA DO NORTE

07/12/2018 – O ZKJ Dojo, academia em Belfast na Irlanda do Norte, há muito tempo vinha realizando o ensino de esportes de luta e formando campeões. O próprio fundador da organização, Danny Corr, é um lutador premiado e reconhecido – membro do Hall da Fama do esporte na Irlanda do Norte e um pioneiro do MMA no país. Hoje, no entanto, como nos conta Danny, o foco da organização é menos sobre ele, mas sim na nova geração. Dois jovens, em particular, tem se destacado na área: Courtney e Jack. Ambos vem se sobressaindo no mundo profissional dos esportes de luta, mas não apenas nele. Estão se tornando campeões na vida também e inspirando outros jovens a trilharem os seus passos.

A Luta pela Paz e o ZKJ Dojo começaram a parceria em 2014, quando a academia da Irlanda do Norte foi uma das primeiras organizações a viajar para a nossa Academia no Rio de Janeiro para o treinamento acerca de nossa metodologia dos Cinco Pilares. E este foi o começo do que hoje conhecemos como a Aliança Luta pela Paz. Segundo Danny, essa colaboração teve papel fundamental em como a sua organização foi moldada e cresceu nestes últimos anos, sendo Jack e Courtney os melhores exemplos do impacto positivo de como os programas holísticos desenvolvidos pela Luta pela Paz, de fato, funcionam e geram seus novos frutos.

“E o Fight to Unite é o resultado direto dessa transformação que o programa de treinamento que recebemos no Rio de Janeiro e da consultoria constante que a Luta pela Paz prestou para nós nestes últimos anos”, conta Danny.  “A Fight to Unite nasce como uma nova proposta para a nossa academia, uma vez que agora a ZKJ Dojo tem seu foco direcionado aos jovens e oferece programas gratuitos para eles baseados na metodologia dos Cinco Pilares. Ser uma organização parceira da Luta pela Paz, sem dúvida, operou uma grande mudança na forma com que a gente realizava o nosso trabalho. Não foi sem muito trabalho duro que conseguimos tomar estes novos rumos, mas, com certeza, está sendo muito gratificante”.

Hoje a organização Fight to Unite, nascida a partir deste trabalho em conjunto, oferece um programa integrado de atividades que combinam mentoria, suporte social e educacional, lições sobre liderança e oportunidades de trabalho e emprego para os jovens que fazem os demais esportes de luta da academia. Os programas são realizados graças à parceria da Fight to Unite com o Northern Ireland Youth Forum (Fórum da Juventude da Irlanda do Norte) – laço este consolidado a partir do contato inicial com a Luta pela Paz com ambas instituições. A medalhista de prata, Courtney, e Jack, cotado como oitavo no ranking mundial e terceiro na Europa no MMA, ambos formados por Danny, hoje são fundadores da nova organização junto com ele e contam um pouco desta experiência:

“Aplicamos para um edital do Comic Relief juntamente com a Northern Ireland Youth Forum e o resultado foi o que hoje conhecemos como Fight to Unite, que administramos todos juntos e que tem seus treinadores esportivos e jovens trabalhadores atuando juntos com os demais jovens atletas de nossa comunidades para que todos alcancem o seu potencial”, nos conta Jack, que hoje atua como um dos treinadores de um grupo de jovens, trabalhando junto com um monitor formado pela organização. Enquanto Courtney também treina novas alunas e alunos em caráter sazonal, trabalhando especificamente com grupos de jovens mulheres. O esporte na Fight to Unite anda de mãos dadas com os programas de educação, na visão de ambos os lutadores. Jack hoje está cursando a universidade depois de um período fora da escola e Courtney está em um curso técnico, onde se esforça para tirar as boas notas que a levarão também para a universidade – seu sonho.

Ser treinador de novos jovens atletas faz parte da filosofia de ambos, como forma de retribuição por tudo aquilo que puderam alcançar, além de inspirarem e servirem de modelo para que novos jovens trilhem os seus passos.  Uma vez que todos os programas são realizados de forma gratuita, todos jovens são encorajados a se voluntariarem em sessões de boas vindas a novos alunos, entre outras atividades. Ao se sentirem úteis à organização e parte do todo, veem sua auto-estima elevada e suas habilidades de liderança e confiança crescerem frente aos demais membros mais antigos da organização.

Danny explica que: “Ser convidada a ser treinador da Fight to Unite dá às pessoas um sentimento de pertencimento e orgulho por aquilo que estão ajudando a construir. Eles podem ter vindo de situações e cenários, talvez, não tão favoráveis assim, portanto quando alguém os dá certa responsabilidade, eles agarram esta oportunidade e reagem extremamente bem.”

A região da Grande Belfast, onde a Fight to Unite trabalha hoje sofre com a exploração de jovens cooptados ao comércio de drogas e enfrenta um alto índice de suicídios – especialmente entre homens jovens. Apenas no ano de 2018, o Dojo sofreu com o suicídio de três parentes de jovens alunas e alunos de seus programas. “A maior dificuldade é a autoestima que hoje, com o aumento das mídias sociais, vemos os jovens sendo postos a prova a todo o momento. Então, esse trabalho da construção da autoestima, da auto-confiança é tão importante como parte do trabalho de desenvolvimento pessoal que fazemos aqui.”, completa Danny.

Olhando para o futuro, Jack se vê conciliando sua vida de competidor com o seu trabalho enquanto treinador, enquanto Courtney, atualmente se recuperando de uma lesão no joelho, estará de volta aos torneios no ano que vem, durante o Campeonato Europeu. Já tendo apoiado mais de 500 jovens apenas nos últimos 18 meses, Fight to Unite, é o resultado de uma forte parceria e uma grande parcela de dedicação do Dojo e da Northern Ireland Youth Forum, e pretendo formar ainda mais campeões – tanto dentro, quanto fora da Academia.

“Nós apenas contamos com o comprometimento dos nossos membros e é essa força e entusiasmo que trazemos de volta a eles em retribuição”, nos conta Danny. “Nós estamos com cada vez mais alunos que sonham em entrar para a faculdade ou que desejam competir e treinar novas alunas e alunos. Acredito que essa é a maior recompensa que podemos receber, ao mesmo tempo que é a maior comprovação da eficácia do nosso trabalho. Ah, isso e o fato de que continuamos formando lutadores incríveis também! (risos)”