O esporte pela paz

12/08/2017 – Rubens Blanc tem 22 anos e entrou para a Luta pela Paz em 2008 para fazer boxe e hoje em dia também faz jiu-jitsu. Rubens já foi auxiliar do professor de boxe, já fez parte do Conselho Jovem, já trabalhou na recepção e hoje em dia é estagiário da área de esporte. Aqui ele nos conta um pouco sobre ser membro do grupo Raça e Etnia, do qual ele também faz parte atualmente:

O grupo Raça e Etnia foi criado com o intuito de tentarmos combater as desigualdades raciais e étnicas que existem na nossa Academia e na nossa sociedade. Por isso buscamos promover atividades que façam com que os jovens reflitam sobre os temas racismo, xenofobia, raça e etnia. Eu percebi que aqui na Luta pela Paz a identidade dos jovens era pouco trabalhada, por exemplo, muitos jovens quando vão preencher a ficha de cadastro têm dificuldade de se auto-declararem negros ou pardos e a maioria dos alunos que temos aqui são negros e pardos.

Outra forma de preconceito que vemos é o apelido que às vezes é dado às pessoas. Tem muita gente que vem da África e que nós acabamos apelidando de angolano se for negro. Se a pessoa vier do nordeste, nós chamamos paraíba. Há outras regiões da África e do nordeste da qual a pessoa pode ser proveniente e por isso se sentir ofendida.

Nós falamos sobre etnia e racismo em palestras realizadas em conjunto com o Suporte Social, mas falamos de um modo geral, não focamos o tema no esporte.

As competições em si, já representam uma forma de integração social. Nos campeonatos, pessoas de diversos lugares e nacionalidades competem juntas, de igual pra igual, fora que o atleta pode viajar pra outros países e conhecer outras culturas.

Na prática de todas as modalidades de luta aqui na Academia, não há distinção nem de gênero, nem de raça, nem de etnia, nem de classe social. Todo mundo está no mesmo ambiente pra praticar a modalidade e se tornar melhor naquele esporte. Até mesmo dentro da comunidade, nós temos pessoas vindo de diversas áreas, ou seja, de regiões que pertencem a facções diferentes. E aqui elas se unem porque vieram com o mesmo intuito, de treinar o esporte – o que deu origem inclusive a um dos projetos da Luta pela Paz, o Maré Unida, que tem como objetivo romper com essas barreiras invisíveis que existem dentro da Maré.

Aqui na Academia a gente também tem a filosofia de que a pessoa que está praticando luta não pode brigar na rua. Nossos valores refletem bem como é o nosso trabalho. Nós trabalhamos desenvolvendo o potencial de crianças e jovens de comunidades afetadas pelo crime e a violência, unidos, em um ambiente em que todos são bem vindos e em prol da paz.