Mulheres que fazem a diferença

06/09/2016 – A brasileira Diana Bonar, coordenadora área de treinamento da Luta pela Paz, foi uma das 17 mulheres selecionadas no mundo para o Global Sports Mentoring Program, do Departamento de Estado dos EUA de incentivo ao empoderamento feminino a partir do esporte.

Conheça um pouco mais sobre a Diana:

Atualmente trabalho na Luta pela Paz (LPP), uma ONG internacional muito bem reconhecida que ganhou muitos prêmios pelo seu trabalho desenvolvido em comunidades afetadas por elevados níveis de crime e violência. A LPP desenvolveu uma metodologia chamada Cinco Pilares que inclui boxe e artes marciais combinados com educação e desenvolvimento pessoal para desenvolver o potencial dos jovens destas comunidades. A minha função é difundir esta metodologia de prevenção da violência para outras ONGs parceiras por todo o Brasil e pela América Latina. Eu desenvolvo ferramentas e recursos para apoiar a aprendizagem e o desenvolvimento dessas ONGs que possuem diferentes origens organizacionais, e estão dentro de diferentes contextos de violência.

Dito isso, eu dou apoio ao diretor de cada uma das 16 organizações Alumni da Luta pela Paz para se adaptarem à nossa metodologia, respeitando a sua individualidade, ao longo de 12 meses de consultoria, e também contribuo para o desenvolvimento de uma rede nacional de organizações. Depois de identificar os contextos que mais precisam da nossa metodologia em cada ONG, o passo é buscar novos parceiros que possam financiar o projeto.

Além disso, sou responsável pelo treinamento interno da equipe da Organização, garantindo que nossos valores e nossa missão estejam bem compreendidas e presentes em todas as áreas do nosso trabalho, e por organizar sessões especificas de treinamento para fortalecer a nossa equipe. Esse ano nós estamos organizando um workshop sobre a questão de gênero e violência contra as mulheres.

Minha formação profissional também inclui Mediação de conflitos e Comunicação Não Violenta (CNV). A CNV afirma que todos nós somos compassivos por natureza e que estratégias de violência – seja física ou verbal – são comportamentos aprendidos, que são ensinados e apoiados pela cultura vigente. Pessoas que praticam a CNV têm encontrado maior autenticidade em sua comunicação, aumentaram sua compreensão, capacidade de conexão e de resolução de conflitos. A comunidade CNV está ativa em mais de 65 países ao redor do mundo.

Ao entender como a CNV poderia fortalecer o que a LPP já faz, e sendo duas metodologias que trazem paz e compreensão ao mundo, eu percebi a importância de introduzir a CNV na rotina da LPP. Até hoje, cerca de 100 funcionários, do Rio e de Londres, fizeram parte do treinamento e um grupo vai ser organizado para manter a CNV ativa. Devido ao sucesso da recente proposta de projeto baseado na CNV, nós estamos estudando a possibilidade de implementá-la em outros lugares, de preferência onde o crime e a violência sejam uma realidade diária, como na Jamaica e na África do Sul, onde nós estamos iniciando Safer Community Incubators (envolvendo atores locais de diferentes setores para formar uma abordagem colaborativa a respeito da prevenção da violência na juventude).