Minha experiência como voluntário na Luta pela Paz.

07/07/2017 –Tom Biggart, estudante da Bristol University (Universidade de Bristol) começou a trabalhar como voluntário na Luta pela Paz do Rio de Janeiro no início de 2017 e contribuiu enormemente com o trabalho da área de comunicação e de captação da organização durante os últimos seis meses. Aqui ele compartilha com a gente suas impressões de ter vivido e trabalhado no Brasil e o que ele extraiu dessa experiência:

Eu cheguei no Brasil em janeiro, no auge do verão, estava procurando por um emprego para os seis meses que eu fosse ficar aqui, mas não tinha nenhum plano de como encontra-lo e tenho um pouco de vergonha de dizer, mas nunca tinha ouvido falar na Luta pela Paz. Eu tinha vontade de trabalhar em uma Ong, mas não tinha ideia de por onde começar. Depois de analisar e falar com várias organizações, eu tive a sorte de conseguir entrar em contato com Luke Dowdney, fundador e diretor da Luta pela Paz. Minhas impressões iniciais foram ótimas, mas pensando um pouco melhor atualmente, naquela época, eu não fazia a menor ideia do que estava fazendo.

Em poucos dias pude perceber que se tratava de um projeto muito especial. Meu primeiro dia na Maré, o Complexo de Favelas em que a Luta pela Paz fica, foi muito impactante. Era a primeira vez que eu entrava em uma favela e me lembro de ter ficado impressionado com a própria Academia. Você vê o ginásio e as paredes azuis da Luta pela Paz como um santuário das adversidades da vida na favela – e a energia de felicidade e solidariedade que você sente ao caminhar é contagioso. Eu me lembro dos membros da equipe me mostrando a Academia e eu tentando assimilar o máximo que eu conseguia, possuindo um português básico e sendo apresentado a várias pessoas novas. Eu me senti em casa. Não tinha como não me sentir, em uma ambiente com uma atmosfera familiar tão grande – e agora eu posso dizer ao escrever isso no meu último dia na Luta pela Paz, que essa foi a experiência mais incrível e inspiradora que eu já tive na minha vida.

Eu adorei as minhas tarefas de trabalho – ajudar com as mídias sociais, atualizar o site e a que eu gostei mais, de fazer entrevistas com pessoas incríveis e ter o privilégio de escrever suas histórias – e toda a experiência tem sido incrivelmente interessante, muito gratificante, e muitas vezes me abriu os olhos completamente. Eu penso em voltar a conversar com a Camila Pessoa – a menina encantadora e impressionante de 16 anos que superou vários obstáculos para se tornar a terceira melhor lutadora de luta olímpica na sua idade e nível de todo o Brasil. – e eu percebo o quanto fui sortudo de ouvir e escrever a sua história. Camila é apenas uma entre vários outros jovens que encontraram acolhimento, força e inspiração na Luta pela Paz, que os ajuda a seguir adiante com suas vidas. E é uma alegria ver e estar perto dessas crianças e jovens incríveis.

Mais importante, eu amei fazer parte de um projeto que está fazendo tanto pelas pessoas com tão pouco. Sendo do Reino Unido, muitas pessoas não conhecem a vida em uma favela (como eu não conhecia quando cheguei) e acredito que apenas através de organizações como a Luta pela Paz que muitos desafios serão vencidos. Tem sido um prazer e uma honra e embora eu esteja deixando o Brazil e indo pra a Inglaterra para terminar a faculdade, eu tenho certeza que esse não será o  fim da minha jornada com a Luta pela Paz. Desejo a todos da Luta pela Paz muita sorte em suas empreitadas futuras. – Abraços!