A combinação de dança e boxe como apoio para que jovens se desenvolvam – A estória de Jhon

07/09/2018 – Jhon Jairo Mina, um ex-lutador de Buenaventura, Colombia, está fazendo a diferença em sua comunidade através de uma iniciativa única que combina esportes de luta e dança. Com o apoio da Secretaria de Desportes de Cali e da Fundacion Carvajal, ambas membros da Aliança Luta pela Paz, Jhon e seu grupo de jovens atletas estão trabalhando juntos para de desenvolverem e crescerem em suas vidas. O treinador inspirador conversou com a Luta pela Paz sobre a sua história e os campeões que ele está ajudando a desenvolver: Meu nome é Jhon Jairo Mina e tenho 36 anos. Eu sou de Buenaventura, mas atualmente estou morando em Cali. Eu moro em uma casa que foi fornecida pelo governo para pessoas que foram vítimas de deslocamento forçado devido ao conflito civil. Hoje, todos na comunidade estão trabalhando bem juntos para avançar. Eu me concentro na área de esportes e tento ajudar crianças e jovens a progredir em suas vidas. Eu consegui isso com o apoio da comunidade e de algumas instituições que se interessaram pelas atividades das crianças.

Eu era boxeador em Buenaventura e representava minha cidade natal em competições. Vários anos depois de me mudar para Cali, conheci um jovem que ensinava boxe. Ele me deu a oportunidade de trabalhar como treinador e depois comecei a trabalhar de forma independente com meu próprio grupo. Agora eu faço mais do que apenas boxe; desenvolveu-se em algo social.

Eu tenho um grupo de boxe para crianças maravilhoso. Eu comecei com cerca de doze deles. Os números aumentaram e agora tenho cerca de 70 crianças chegando ao grupo. Nós combinamos o treinamento de boxe com o treinamento de dança. Fazemos o boxe de segunda a sexta e aos sábados e domingos fazemos a prática da dança. Nós treinamos em uma pequena casa, uma daquelas fornecidas pelo governo, mas estamos felizes lá. Eu também me encontro mensalmente com os pais das crianças para discutir o comportamento delas na escola, assim como seu comportamento mais geral em termos sociais e práticos.

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Eu tenho dirigido o grupo de boxe por três anos. Há um ano, comecei a receber apoio do programa “De Por Vida” da autoridade local, o que me deu a oportunidade de emprego, por isso agora tenho alguns fundos de subsistência. Eu também tive apoio da Fundação Carvajal, que pareceu um milagre para mim. Eles me abraçaram e me apoiaram, e isso nos permitiu levar alguns de nossos jovens para competir. Também temos cinco jovens em um programa nacional chamado “Superação” (Supere você mesmo), dois dos quais passei às semifinais, e agora estou levando uma boxeadora para a final em Barranquilla, na costa caribenha da Colômbia. Se conseguirmos recursos, viajaremos e ela poderá participar.

Fazer parte da Aliança Luta pela Paz na Colômbia enriqueceu minha experiência e conhecimento. A informação partilhada ajudou-me a crescer, tanto em termos de informação sobre apoio psicossocial como no conhecimento técnico. Isso me fez perceber que há muitas outras pessoas lutando a mesma luta em outras cidades do país, usando boxe e artes marciais para apoiar os jovens. Eu normalmente não tenho fundos para viajar para fora do bairro e conheço organizações que pensam da mesma maneira. A troca de aprendizado me ajudou 100% com todo o conhecimento que ganhei. Isso me dá força para não desistir.

Estamos felizes com as conquistas que tivemos até hoje. Vamos continuar a crescer pouco a pouco, apesar dos desafios, e apesar das circunstâncias difíceis das crianças que têm talento no boxe, mas não estão na escola; ou meninas que foram abusadas desde os dez anos de idade. Comigo eles encontraram o apoio e a confiança de que precisam para enfrentar suas dificuldades.