Entrevista com Taynara Almeida, 21, aluna do Novos Caminhos

28/11/2018 – Meu nome é Taynara Almeida, tenho 21 anos. Nasci e moro até hoje na Nova Holanda, aqui na Maré. Hoje faz um ano que eu participo do programa Novos Caminhos, o supletivo da Luta pela Paz, para terminar o meu ensino médio.

Eu parei de estudar na oitava série, quando eu tinha 17 anos, e o que me motivou a voltar a estudar agora é a esperança de arrumar um trabalho, fazer uma faculdade, quem sabe… E o meu sonho mesmo é fazer a prova pra Marinha. Estudar aqui na Luta pela Paz é muito diferente. Eu tenho aula com o professor Diego e ele motiva muito a gente a querer aprender cada vez mais. Eu gosto muito dele. E também das amizades que eu fiz aqui.

Hoje eu percebo que eu não gostava de estudar antes porque faltava esse incentivo, apesar de minha mãe sempre dizer que eu precisava voltar a estudar… Aliás, foi ela que conheceu a Luta pela Paz e a gente veio fazer minha inscrição aqui. Antes eu faltava muito à aula e quando eu ia, muitas vezes o professor faltava, então eu só ia pra escola e voltava pra casa. Eu não tinha nem uma matéria preferida naquela época… Era só um sacrifício ir pra escola.

Quando eu deixei de estudar naquela época, eu não procurei trabalho também… E a minha mãe falava pra eu procurar um trabalho ou um curso que fosse. Mas eu era “de menor” ainda e não tinha tanta responsabilidade ainda, né? Mas aí depois que eu fiquei mais velha, mais gente começou a falar… Os familiares, o pessoal da rua… E eu pensei “É, tenho que fazer alguma coisa mesmo”.

Eu já tinha essa idéia de fazer a prova pra Marinha, mas era só uma idéia muito distante até eu entrar aqui na Luta pela Paz. Agora que eu tô aqui eu tenho certeza que eu vou fazer. Hoje em dia até uma matéria favorita eu já tenho, que é História. Só não consigo gostar mesmo é de Matemática (risos).

Hoje eu já não consigo me imaginar sem estar estudando, lendo… Eu já gostava de ler muitas revistas em quadrinho e hoje eu leio bem mais, de tudo também. E escrevo também, porque o Diego incentiva muito a gente a escrever redação, poesia… É uma redação atrás da outra. Eu lembro bem do dia que a gente fez uma redação de trinta linhas! Foi a primeira vez que eu escrevi tanto. Hoje eu gosto muito de escrever sobre a minha comunidade, sobre o nosso dia-a-dia.

Eu gosto muito de morar aqui. Claro que existem os pontos negativos, a violência, né?, que afasta muito as pessoas que não moram aqui e acabam ficando com preconceito ou com medo de entrar, mas morar aqui é muito bom. Tem muitas lojas, muitas organizações como a Luta pela Paz, que eu acho que são as melhores coisas de morar aqui. Tem muita gente que sonha em um dia morar fora, mas eu não. Eu não quero sair daqui não. Claro, como todo mundo, eu quero alcançar outras coisas, mas eu sonho em continuar morando aqui na Maré.

Eu consigo ver o quanto eu cresci depois de ter entrado aqui na Luta pela Paz. Era muita coisa que eu não conhecia. Se eu pudesse dar um conselho pra Taynara de 17 anos eu diria para ela nunca parar de estudar. Acho que a principal coisa que me faltava naquela época mesmo era o incentivo e as oportunidades. Na minha família mesmo, nem todo mundo fez faculdade acho que foi porque naquela época deles não tinha tanto curso como tem agora por aqui. E eu sonho é com isso: que um dia que todo mundo vai ter as mesmas oportunidades que eu tô tendo.